Amanhã de manhã
Amanhã esse blog aqui faz um ano. O futuro dele é esse mesmo. Ao contrário de nós, que temos uma duração de vida limitada, mas indeterminada. Esse blog já nasceu com os dias contados. Na minha cabeça sempre foi muito claro. Eu faria um blog por um ano.
Acho que nunca falei disso aqui, mas aproveitando a proximidade da morte, vou confessar. Fiz diário por vários anos. Tenho vários cadernos cheios de mim. Mas não de mim como as pessoas conhecem ou como eu mesmo me conheço. Sâo cadernos com pedaços de mim que não frutificaram, pensamentos que não foram desdobrados, sentimentos que não foram propriamente sentidos. Enfim, com o passar dos anos fui achando esse negócio de diário uma coisa cada vez mais pervertida.
Eu não me interessava mais por mim. Pra quê diário? Eu ainda não me interesso por mim. Nem tenho interesse em me interessar por mim. Acho isso muito mesquinho.
O blog me pareceu menos mesquinho. Uma coisa não confessional como um diário. Uma coisa não pessoal como um diário. Uma coisa não-eu. Pois é isso que esse blog é, um não-eu. Ele cumpriu - na medida do possível- o propósico para o qual eu o concebi. Foi um propósito pessoal, mas não individual. (não vou explicar isso)
Não sei se vou continuar com ele, ou não. Tenho que ter algum projeto relacionado à escrita. Antes o diário, depois o blog, depois oquê? Sei não. Sei só que isso não importa, e que isso é importante. Fiz o blog pensando só em mim, escrevi pensando só em mim, então não acho que o fim dele diga alguma coisa a não ser pra mim. Ele me deu boas idéias. Idéias que não são necessariamente as que estão aí, mas idéias que surgiram das que estão aí. O carvão só aparece porque a árvore foi queimada. O que tá escrito aqui foram as árvores, as idéias que realmente tive, são o carvão. Esses eu guardo pra mim - pelo menos por enquanto. Pelo menos até ter uma refeição nutritiva e saborosa pra preparar com ele. Quando tiver, eu divido.
De qualquer forma, obrigado
bis bald

